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13ª BIENAL INTERNACIONAL
DE ARQUITETURA DE SÃO PAULO

Reconstrução

Esta edição da Bienal de Arquitetura parte de uma realidade de intensas transformações geradas pela pandemia de COVID-19 em todo o mundo e que exigiu esforços intensos de organização das dinâmicas urbanas, sociais e profissionais pela sobrevivência. Assim, propõe-se um olhar sobre os desafios impostos por esta crise, como também reflexões e propostas que apontem para práticas sociais, arranjos espaciais e as possibilidades de (sobre)viver e transformar a realidade em áreas urbanas e rurais.

Dessa forma, a Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo em sua 13a edição, que ocorrerá em 2022, assume como provocação central inicial a RECONSTRUÇÃO. Parte-se da ideia de reedificar, refundir e renovar as relações dos grupos sociais com seus espaços domésticos, dos cidadãos com os espaços públicos e das tramas pessoais e profissionais, que ocorrem nos espaços de confinamento e nos de usos coletivos, durante e depois da pandemia de COVID-19.

A RECONSTRUÇÃO convoca-nos a repensar problemas e soluções em diversos aspectos. Para melhor compreender essa questão, lançamos eixos norteadores preliminares que nos guiaram na proposta das fundações deste evento nacional. A questão da Democracia (1) propõe uma reflexão crítica sobre como garantir e estimular práticas políticas nos espaços urbanos em um contexto global e em um país que enfrenta ameaças de recessão democrática. Pensar como tornar as cidades mais acessíveis, seguras, acolhedoras, convidativas, mas também lugar onde contrastes e conflitos são latentes, discutindo questões sobre a presença das diversas classes sociais, das raças e dos gêneros. Também se propõe que sejam levantadas soluções inovadoras em relação ao planejamento e gestão democrática, a partir de experiências vinculadas ao território.

O eixo Corpos (2) lança a discussão para a relação entre espaço e temas como interseccionalidade, vulnerabilidades e políticas sociais. Sugerimos uma reflexão sobre como garantir práticas coletivas tendo em vista questões de saúde pública, discriminação, violência e violações de direitos, de maneira a repensar como garantir acesso, convivência e circulação de pessoas nas cidades. Além disso, anuncia a urgência de garantir programas específicos para grupos específicos, como crianças, jovens, idosos, portadores de necessidades especiais, especialmente nos territórios vulneráveis em meio à crise imposta, ampliando o debate sobre as vulnerabilidades dos corpos nos fluxos pela cidade. Em relação aos espaços arquitetônicos, propõe ainda uma reflexão sobre a flexibilidade dos espaços domésticos, profissionais e institucionais frente ao desafio de garantir usos diversos e saúde coletiva no contexto de isolamento e de retomada das atividades.

Entendendo a Memória (3) como o agente coletivo que nos confronta diante do estranhamento de um novo mundo e nos conforta em relação às suas permanências, mas também como um processo de reelaboração permanente deste passado no presente e que possui a propriedade de conservar ou de apagar certas informações, lançamos o desafio de compreender como utilizar a pré-existência para a reinvenção do cotidiano nas cidades. Este eixo também visa refletir como a arquitetura e a infraestrutura urbana podem colaborar para a construção de uma memória coletiva que torne mais acolhedor o processo de (re)ocupação, (re) construção e (re) significação das cidades.

Neste sentido, a Informação (4) abre horizontes para o debate de políticas urbanas e sociais a partir de uma temática que toca todos os aspectos da vida contemporânea, mas ainda está restrita a especialistas. Propomos lançar luz sobre as questões de privacidade e proteção de dados, bem como às experimentações com modelos de governança de dados públicos e privados no gerenciamento dos corpos e das práticas cotidianas, estimulando o debate sobre cartografias colaborativas, reconhecimento facial, discriminação algorítmica, internet das coisas e ciência de dados urbanos em uma perspectiva de governança de cidades.

Fechamos os eixos norteadores desta Bienal com a questão da Ecologia (5), fundamental para o equilíbrio entre áreas urbanas e naturais, a discussão sobre ecologia propõe a reflexão sobre o planejamento de cidades atentas ao equilíbrio ambiental e ao desenvolvimento de atividades produtivas, voltados para a qualidade de vida de sua população a partir de temas como mudanças climáticas, cidades de baixo carbono, agricultura urbana e segurança alimentar.

No convite a este amplo debate, assumimos o compromisso de dar continuidade ao processo seletivo acompanhado da figura de uma curadora residente que possa pensar na edição atual, e na construção de um modelo para as edições seguintes, de maneira a tornar o processo de construção do evento ainda mais aberto e representativo. Atuarão ainda um Conselho Consultivo a ser configurado pelo IAB – Departamento São Paulo, com regras para conferir representatividade e um Comitê de Acompanhamento no Conselho Superior do IAB, que congrega todos os Departamentos estaduais.

O novo modelo a ser experimentado é planejado para um formato replicável nas próximas cinco edições (2022-2032) e busca estabelecer uma rede estratégica com entidades culturais, universidades e o poder público.

O evento deve, ainda, priorizar núcleos da cidade para conectar e integrar ações: uma rede de equipamentos públicos e comunitários onde estão desenvolvidos projetos integrados de transformação urbana e ambiental em diálogo com as comunidades locais (Jardim Guarani, Jardim Pantanal, Parque Pinheirinho D’Água, Jardim Lapenna e Parque Novo Mundo) em parceria com o Pacto Pelas Cidades Justas; e, também, equipamentos culturais e espaços públicos no eixo da Avenida Paulista. Lugares para abrigar exposições, debates e atividades que envolvam as populações na cidade, entendendo que as manifestações múltiplas devem ser acolhidas e discutidas neste evento.

Em julho e agosto de 2020, foram realizados debates preparatórios para o concurso de co-curadoria com temas relacionados à própria essência de exposições de arte e de arquitetura que propunha pensar o papel dos arquitetos, urbanistas e de tantos outros profissionais na construção de cidades mais justas e democráticas. Estão previstas para o segundo semestre de 2021 chamadas abertas para selecionar projetos, atividades e intervenções vinculadas à Bienal.

Este processo buscará contribuir com o fortalecimento de uma rede de colaboração – envolvendo universidades, instituições culturais, movimentos sociais, entre outros – que atuem frente a um pacto social para compartilhar projetos, narrativas, experiências, ferramentas que possibilitem compreensão, atuação e transformação do ambiente e da cultura urbana.

© Luisa C. Zucchi (2017)

© Inês Bonduki, da série Linha Vermelha (2017)

© Pedro Céu. São José dos Campos (2020)

© Tuca Vieira. Paraisópolis

© Luisa C. Zucchi (2017)

© Nelson Kon. Estação de tratamento de água da Indústria de papéis Ahlstrom Munksjo em Caieiras/ SP (2019)

© Tuca Vieira. Paulista

13ª BIENAL INTERNACIONAL
DE ARQUITETURA
DE SÃO PAULO

Reconstrução

Esta edição da Bienal de Arquitetura parte de uma realidade de intensas transformações geradas pela pandemia de COVID-19 em todo o mundo e que exigiu esforços intensos de organização das dinâmicas urbanas, sociais e profissionais pela sobrevivência. Assim, propõe-se um olhar sobre os desafios impostos por esta crise, como também reflexões e propostas que apontem para práticas sociais, arranjos espaciais e as possibilidades de (sobre)viver e transformar a realidade em áreas urbanas e rurais.

Dessa forma, a Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo em sua 13a edição, que ocorrerá em 2022, assume como provocação central inicial a RECONSTRUÇÃO. Parte-se da ideia de reedificar, refundir e renovar as relações dos grupos sociais com seus espaços domésticos, dos cidadãos com os espaços públicos e das tramas pessoais e profissionais, que ocorrem nos espaços de confinamento e nos de usos coletivos, durante e depois da pandemia de COVID-19.

A RECONSTRUÇÃO convoca-nos a repensar problemas e soluções em diversos aspectos. Para melhor compreender essa questão, lançamos eixos norteadores preliminares que nos guiaram na proposta das fundações deste evento nacional. A questão da Democracia (1) propõe uma reflexão crítica sobre como garantir e estimular práticas políticas nos espaços urbanos em um contexto global e em um país que enfrenta ameaças de recessão democrática. Pensar como tornar as cidades mais acessíveis, seguras, acolhedoras, convidativas, mas também lugar onde contrastes e conflitos são latentes, discutindo questões sobre a presença das diversas classes sociais, das raças e dos gêneros. Também se propõe que sejam levantadas soluções inovadoras em relação ao planejamento e gestão democrática, a partir de experiências vinculadas ao território.

O eixo Corpos (2) lança a discussão para a relação entre espaço e temas como interseccionalidade, vulnerabilidades e políticas sociais. Sugerimos uma reflexão sobre como garantir práticas coletivas tendo em vista questões de saúde pública, discriminação, violência e violações de direitos, de maneira a repensar como garantir acesso, convivência e circulação de pessoas nas cidades. Além disso, anuncia a urgência de garantir programas específicos para grupos específicos, como crianças, jovens, idosos, portadores de necessidades especiais, especialmente nos territórios vulneráveis em meio à crise imposta, ampliando o debate sobre as vulnerabilidades dos corpos nos fluxos pela cidade. Em relação aos espaços arquitetônicos, propõe ainda uma reflexão sobre a flexibilidade dos espaços domésticos, profissionais e institucionais frente ao desafio de garantir usos diversos e saúde coletiva no contexto de isolamento e de retomada das atividades.

Entendendo a Memória (3) como o agente coletivo que nos confronta diante do estranhamento de um novo mundo e nos conforta em relação às suas permanências, mas também como um processo de reelaboração permanente deste passado no presente e que possui a propriedade de conservar ou de apagar certas informações, lançamos o desafio de compreender como utilizar a pré-existência para a reinvenção do cotidiano nas cidades. Este eixo também visa refletir como a arquitetura e a infraestrutura urbana podem colaborar para a construção de uma memória coletiva que torne mais acolhedor o processo de (re)ocupação, (re) construção e (re) significação das cidades.

Neste sentido, a Informação (4) abre horizontes para o debate de políticas urbanas e sociais a partir de uma temática que toca todos os aspectos da vida contemporânea, mas ainda está restrita a especialistas. Propomos lançar luz sobre as questões de privacidade e proteção de dados, bem como às experimentações com modelos de governança de dados públicos e privados no gerenciamento dos corpos e das práticas cotidianas, estimulando o debate sobre cartografias colaborativas, reconhecimento facial, discriminação algorítmica, internet das coisas e ciência de dados urbanos em uma perspectiva de governança de cidades.

Fechamos os eixos norteadores desta Bienal com a questão da Ecologia (5), fundamental para o equilíbrio entre áreas urbanas e naturais, a discussão sobre ecologia propõe a reflexão sobre o planejamento de cidades atentas ao equilíbrio ambiental e ao desenvolvimento de atividades produtivas, voltados para a qualidade de vida de sua população a partir de temas como mudanças climáticas, cidades de baixo carbono, agricultura urbana e segurança alimentar.

No convite a este amplo debate, assumimos o compromisso de dar continuidade ao processo seletivo acompanhado da figura de uma curadora residente que possa pensar na edição atual, e na construção de um modelo para as edições seguintes, de maneira a tornar o processo de construção do evento ainda mais aberto e representativo. Atuarão ainda um Conselho Consultivo a ser configurado pelo IAB – Departamento São Paulo, com regras para conferir representatividade e um Comitê de Acompanhamento no Conselho Superior do IAB, que congrega todos os Departamentos estaduais.

O novo modelo a ser experimentado é planejado para um formato replicável nas próximas cinco edições (2022-2032) e busca estabelecer uma rede estratégica com entidades culturais, universidades e o poder público.

O evento deve, ainda, priorizar núcleos da cidade para conectar e integrar ações: uma rede de equipamentos públicos e comunitários onde estão desenvolvidos projetos integrados de transformação urbana e ambiental em diálogo com as comunidades locais (Jardim Guarani, Jardim Pantanal, Parque Pinheirinho D’Água, Jardim Lapenna e Parque Novo Mundo) em parceria com o Pacto Pelas Cidades Justas; e, também, equipamentos culturais e espaços públicos no eixo da Avenida Paulista. Lugares para abrigar exposições, debates e atividades que envolvam as populações na cidade, entendendo que as manifestações múltiplas devem ser acolhidas e discutidas neste evento.

Em julho e agosto de 2020, foram realizados debates preparatórios para o concurso de co-curadoria com temas relacionados à própria essência de exposições de arte e de arquitetura que propunha pensar o papel dos arquitetos, urbanistas e de tantos outros profissionais na construção de cidades mais justas e democráticas. Estão previstas para o segundo semestre de 2021 chamadas abertas para selecionar projetos, atividades e intervenções vinculadas à Bienal.

Este processo buscará contribuir com o fortalecimento de uma rede de colaboração – envolvendo universidades, instituições culturais, movimentos sociais, entre outros – que atuem frente a um pacto social para compartilhar projetos, narrativas, experiências, ferramentas que possibilitem compreensão, atuação e transformação do ambiente e da cultura urbana.

© Luisa C. Zucchi (2017)

© Pedro Céu. São José dos Campos (2020)

© Tuca Vieira. Paraisópolis

© Luisa C. Zucchi (2017)

© Nelson Kon. Estação de tratamento de água da Indústria de papéis Ahlstrom Munksjo em Caieiras/ SP (2019)

© Tuca Vieira. Paulista