13ª

Ministério do turismo, secretaria especial da cultura e belgo bekaert arames apresentam

Eixo Platina/Vila Operária João Migliari

Vila Gomes Cardim, São Paulo - SP, 03310-030

(Transcrição do vídeo)

Olá. Eu sou o Lucas Chiconi Balteiro, arquiteto e urbanista, morador da Vila Regente Feijó, região do Tatuapé, em São Paulo.

Aqui existiu a Vila João Migliari, um conjunto de sessenta sobrados geminados dos anos 1950. O período foi o auge da industrialização na cidade que impulsionou a urbanização na região do Tatuapé. As casas eram utilizadas tanto como moradia de aluguel, quanto por comércios e serviços locais. 

Desde então, a região passa por diversas transformações, sobretudo pela atividade imobiliária que se relaciona com o enriquecimento de parte da sua população. Os trens, o metrô, os shoppings e os parques são parte da infraestrutura construída para fomentar as modificações.

O conceito de periferia operária atribuído no século XX já não serve mais. Hoje, a região do Tatuapé e do Jardim Anália Franco está entre as mais enriquecidas de São Paulo – ainda que siga bastante diversa. Os arranha-céus mais altos da cidade construídos aqui são a prova de que há novos processos em curso na história da cidade.

As cinco casas que resistiram à violenta demolição de 2019 são um testemunho desses processos, sobretudo de luta por sua preservação – ainda que com diferentes interesses e opiniões dentre os diversos agentes envolvidos. Nesse momento, o caso está no Conselho Municipal de Preservação de São Paulo, o Conpresp, para ser avaliado e votado pelo tombamento definitivo das Vilas Operárias Migliari, formadas pelas 5 casas do Tatuapé e outras duas vilas inteiras no Belém.

O patrimônio não é só uma arquitetura atraente. Ele envolve memórias diversas e até mesmo difíceis, como a ditadura. Inclusive, precisamos aumentar as representações de memória dos diversos grupos da cidade, sobretudo negros. Sabe as igrejas no alto da colina da Penha? Uma delas é memória da comunidade negra do bairro. Para falar de patrimônio, precisamos olhar o todo e não só para o edifício que queremos que seja tombado.

Se almejamos equilíbrios urbanos e territoriais, é necessário que o patrimônio cultural, histórico e ambiental seja preservado, sobretudo pela perspectiva social, para garantir o direito à cidade, as diferentes memórias da cidade.