13ª

Ministério do turismo, secretaria especial da cultura e belgo bekaert arames apresentam

Largo da Banana

R. Barra Funda, 1133 - Barra Funda, São Paulo - SP, 01155-080

Entorno do antigo Largo da Banana, atual ligação entre a Avenida e o Viaduto Pacaembu. Recorte do Google Maps, 2022.

 

Entorno do Largo da Banana não identificado, entre as ruas Olga e Brigadeiro Galvão. Recorte do Mapa Topográfico Sara Brasil, 1930.

A área antigamente conhecida como Largo da Banana não foi oficialmente reconhecida nas cartografias da cidade, mas os registros de memória demonstram que se localizava próximo à estação de trem da Barra Funda, importante entreposto de mercadorias e abastecimento da cidade com as produções que iam ou vinham do Porto de Santos. Dada a ocupação dos bairros da região com moradias operárias, palacetes e galpões industriais, o largo foi conformado pela declividade entre a Rua Brigadeiro Galvão e a Rua Olga, área por onde seria prolongada a Avenida Pacaembu para a construção do viaduto homônimo que viria atravessar a linha férrea. Durante a primeira metade do século XX, o lugar fora utilizado como local de acesso e permanência de trabalhadores informais que exerciam jornadas temporárias como ensacadores e carregadores, predominando a população negra e mestiça que residia nos arredores e também se ocupava do comércio e serviços da comunidade, que também se empregava nas casas da elite dos bairros da Barra Funda, Campos Elíseos e Higienópolis. Em seus intervalos e fins de tempo de trabalho, muitos ali se reuniam para momentos de lazer acompanhados pelo samba e pelas rodas de tiririca, jogo semelhante à capoeira com musicalidade própria, proporcionadas junto aos comerciantes de bananas, o que ocasionava situações de incômodo a demais moradores do entorno e episódios de conflito entre os chamados “valentões” da situação. Estes mesmos grupos vieram a integrar a formação do Cordão Carnavalesco Campos Elyseos e do Grupo Carnavalesco Barra Funda, que se tornou o Cordão Camisa Verde, que passaram a organizar as atividades em torno da festividade e da sociabilidade negras. As letras destas músicas passam a constituir os poucos relatos históricos sobre a área, até que no fim da década de 1950, o sambista Geraldo Filme relata o momento de destruição do lugar para a construção do Viaduto do Pacaembu sob a promessa da chegada do “progresso”, que ao longo da década de 1960 provocou dezenas de intervenções rodoviárias ao redor da região central, desconfigurando a dinâmica comunitária em torno do samba ao mesmo tempo em que consolidava as entidades que originaram as maiores escolas de samba da cidade.