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Chamada
Aberta
Internacional

XII Bienal
Internacional
de Arquitetura
de São Paulo

Inscrições

23.1 —
01.04.19

Curadoria

Vanessa Grossman
Charlotte Malterre-Barthes
Ciro Miguel

Arquitetos e urbanistas há muito vêm aspirando projetar habitats inteiros, civilizações e, até mesmo, o planeta. Contudo, no atual clima de incerteza política e econômica, que se desenrola em um cenário de transformações ambientais sem precedentes causadas pelo rápido desenvolvimento industrial e tecnológico, profissionais da arquitetura e do urbanismo passaram a reconhecer a vulnerabilidade de suas disciplinas em relação às transformações globais e aos desafios de um futuro automatizado. Em reação, ao trazer o foco da arquitetura para a esfera cotidiana, esses profissionais começaram a questionar a finalidade central do projeto em um mundo super-projetado — aí incluídos objetos banais, rotinas diárias, protocolos de manutenção, ou até o uso de recursos básicos. Essa linha de investigação restabelece o que parece ser a dimensão mais trivial da realidade — o todo dia — como um mediador intrínseco da produção da arquitetura e da cidade. Na última década, o potencial do cotidiano vêm influenciando a prática e a teoria da arquitetura e do urbanismo, desencadeando uma nova ética e estética da simplicidade.

Mais do que um indício de inação ou de falta de vontade, esta abordagem é exigida pelos arquitetos para fazer do projeto algo relevante e uma preocupação compartilhada. O poder discreto do cotidiano está em sua capacidade de traduzir como usamos materiais, ocupamos, habitamos e mantemos o espaço em práticas comuns, que são mais conciliatórias que divisivas. As rotinas diárias dos seres humanos — independentemente de onde vêm, quem são, onde e como vivem — podem ser reduzidas às necessidades primordiais respondidas pela arquitetura e incorporadas ao espaço: uma casa limpa, uma refeição quente, um banheiro com água corrente, uma rua bem iluminada. Essas necessidades cotidianas referem-se não apenas ao corpo e à casa, mas os extrapolam: à cidade e sua infraestrutura, à nação e à administração de seus recursos, à Terra e sua conservação. Em todas essas escalas, a fragilidade do apoio político e institucional é evidente mundo afora, diariamente: florestas e geleiras desaparecem, enquanto a infraestrutura social, habitações coletivas, museus, pontes e calçadas sucumbem. O todo dia surge, portanto, no discurso e na prática arquitetônicos como um compromisso de agir de forma responsável e mais inclusiva.

Todo dia, a proposta curatorial da XII Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (XII BIA), apresenta o cotidiano como plataforma para pesquisa da arquitetura como atividade especializada de produção espacial no século XXI. A Bienal de São Paulo constitui, deste ponto de vista, o contexto ideal dado que, nesta cidade, o cotidiano é um agente capaz de impactar e empoderar a arquitetura, para o bem ou para o mal.

Todo dia está estruturada em torno de três eixos temáticos: Relatos do cotidiano, Materiais do dia-a-dia e Manutenções diárias. Cada qual apresenta projetos de arquitetura e urbanismo, pesquisas e instalações, além de outras intervenções espaciais que se referem às dinâmicas contemporâneas do cotidiano.

Chamada
Aberta
Internacional
para participação
na XII BIA

Esta chamada tem como objetivo reunir propostas preliminares para exposição Arquiteturas do Cotidiano na XII Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (XII BIA). As propostas selecionadas serão posteriormente desenvolvidas com os curadores responsáveis e expostas entre Setembro e Dezembro de 2019 no Centro Cultural São Paulo (CCSP).

A Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo é organizada pelo Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de São Paulo.

Core
Exhibition
at
CCSP

Title
Architectures
of the Everyday

International
Open Call Launch

23.01.2019

Submission
Deadline

01.04.2019

1.Por quê?

Lina Bo Bardi disse certa vez que a vida diária das pessoas inspirou o programa “lúdico” do SESC Pompéia. Paulo Mendes da Rocha costuma dizer que a arquitetura deve amparar as imprevisibilidades da vida. Roberto Burle Marx via os paisagistas como defensores do meio ambiente. A Igreja de São Francisco Assis, na Pampulha, do então jovem arquiteto Oscar Niemeyer, sofria de infiltrações. Perguntado se faria o projeto de outra forma, disse que não. Das rotinas do cotidiano, ao uso dos recursos naturais extraídos para construir casas, edifícios, infraestrutura, jardins e cidades, até a importância crucial da manutenção, essas histórias triviais revelam a intensa conexão entre o espaço e o todo dia.

Arquiteturas do Cotidiano, a exposição central da XII Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo no Centro Cultural São Paulo (CCSP), abordará essa conexão. A mostra oferecerá oportunidades para mapear e discutir projetos nacionais e internacionais, bem como experimentos em arquitetura, urbanismo e paisagismo que tentam re-imaginar como o cotidiano molda nosso mundo. Com o objetivo de destacar contribuições aos debates arquitetônicos globais, particularmente no contexto latino-americano, a exposição pretende estabelecer uma interface entre as práticas de projeto e o debate teórico na arquitetura referente à vida, à natureza e às idiossincrasias associadas à urbanização. A apresentação dos projetos deve comunicar a um público amplo, não especializado, os temas propostos. Buscamos propostas que, por meio de diferentes formatos e mídias, refiram-se criticamente às metamorfoses contemporâneas do cotidiano em todas as suas dimensões.

2.Onde?

Arquiteturas do Cotidiano será apresentada no CCSP, equipamento público multifuncional que constitui uma das principais obras arquitetônicas da cidade, projetado por Eurico Prado Lopes e Luiz Telles. Desde sua inauguração, em 1979, o CCSP tem sido um centro importante para a vida cotidiana em São Paulo, estando estrategicamente conectado a uma movimentada estação de metrô.

3.O quê?

Arquiteturas do Cotidiano está organizada a partir dos três temas centrais da XII BIA: Relatos do cotidiano, Materiais do dia-a-dia e Manutenções diárias.

3.1. Relatos do cotidiano examina as inúmeras maneiras pelas quais arquitetos e outros profissionais relacionados reinterpretam o todo dia. Tais histórias representam um vínculo renovado com sujeitos e objetos, bem como com seus respectivos espaços, dos confins domésticos à cidade e ao campo, baseados em variadas narrativas e categorias conceituais, como espaços ordinários, o banal, o feio, o simples, o neutro, o queer, o pictórico, o nostálgico e assim em diante. Relatos do cotidiano busca projetos que reflitam sobre a relação entre as ditas culturas “erudita” e “popular”, revelando questões de justiça social, que criticamente correlacionam força de trabalho e produção do espaço, além de vislumbrar outros conflitos relevantes (raça, gênero, sujeito/objeto, ativo/passivo, virtual/real, tolerância/violência, passado/presente, etc.).

3.2. Materiais do dia-a-dia aborda a crescente conscientização e o engajamento crítico de arquitetos, paisagistas e urbanistas (entre outros) em relação a diferentes processos envolvendo recursos cotidianos, tanto em contextos urbanos quanto rurais. Ao explorar sistemas de logística, infraestrutura, distribuição e cadeias de produção de commodities, assim como a transformação de matérias-primas em bens de consumo (ou seja, tratamento de água, sistemas de resíduos e alimentos, redes elétricas), essa nova atitude focada em recursos básicos tem, acima de tudo, relação com políticas globais de sustentabilidade, ou a falta delas. Materiais do dia-a-dia busca projetos que contemplem o uso consciente de recursos locais e globais, além de materiais vernaculares, que explorem processos de reciclagem e reuso (ou seja, o uso engenhoso de ready-mades industriais existentes, o retrofit de componentes construtivos, a possibilidade de uma segunda vida dos edifícios), que questionem o status quo da construção e dos códigos urbanos responsáveis pela gestão dos recursos, ou que avaliem criticamente o corpo humano como um recurso diário.

3.3. Manutenções diárias explora a questão e o problema da manutenção na arquitetura, assunto que tem ganhado atenção sobretudo nos debates teóricos e na pesquisa tecnológica atual no mundo. Os profissionais têm tratado com indiferença este aspecto fundamental da arquitetura e de outras disciplinas de projeto e planejamento. As rotinas de manutenção de objetos, corpos e espaços—manuais ou automatizados—estão sendo gradualmente, mas de maneira insuficiente, incorporados à produção arquitetônica. Manutenções diárias convida à reflexão sobre espaços e sua manutenção, buscando avaliações críticas em relação à falta de políticas, e procedimentos de manutenção. Ao se analisar o projeto arquitetônico, urbano e paisagístico através das lentes de sua manutenção diária e sustentabilidade ambiental, algumas questões vêm à tona: para quem os espaços e os objetos são mantidos, a qual custo, e por meio de quais recursos e mecanismos. Tais indagações incidem sobre temas como divisão do trabalho e justiça social, colonialismo e aspectos do patrimônio sociocultural, identidade e memória coletiva, domesticidade e espaço de gênero, responsabilidade sócio-política e jurisprudência, administração e economia de meios, avanços tecnológicos globais e lacunas no desenvolvimento, infraestruturas e reparos.

4.Quem?

A Chamada Aberta Internacional convoca arquitetos, urbanistas, paisagistas, decoradores, engenheiros, cientistas, pesquisadores, artistas e ativistas, além de instituições de ensino referentes a laboratórios de pesquisa, think-tanks, departamentos, disciplinas de graduação e pós-graduação. Contribuições individuais de estudantes só serão aceitas como propostas coletivas ligadas a essas instâncias acadêmicas. Ressalta-se que a programação da XII BIA prevê atividades específicas para estudantes, que serão divulgadas mais adiante. A Chamada tem o objetivo de reunir um grupo transnacional, transgeracional e transdisciplinar de interlocutores de todas as raças, gêneros e culturas.

5.Como?

Diretrizes de envio de projetos:

5.1. Apenas uma proposta por proponente será aceita. Um candidato pode participar de outras propostas, mas não como proponente.

5.2. As inscrições devem ser enviadas digitalmente por meio de formulário online. Candidaturas enviadas por e-mail, correio ou qualquer método alternativo serão descartadas. Todo material apresentado deve ser de propriedade intelectual exclusiva do candidato e/ou coletivo inscrito. Ao se inscrever, todos os candidatos concedem ao IABsp de forma não exclusiva e não onerosa os direitos de reproduzir, divulgar e comunicar publicamente os materiais inscritos em quaisquer formatos e mídias desenvolvidas pelo IABsp.

5.3. Os autores deverão optar por financiar sua proposta ou solicitar o financiamento à organização da XII BIA. Aqueles que solicitarem financiamento, deverão incluir um orçamento aproximado. A execução ficará sob responsabilidade dos autores. As verbas da XII BIA para financiamento de propostas são muito limitadas e serão preferencialmente destinadas àqueles que não tenham condições de custear a exposição de seus trabalhos.

5.4. O processo seletivo será conduzido pelo júri composto por Vanessa Grossman, Charlotte Malterre-Barthes e Ciro Miguel, curadores da XII Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, juntamente com Javier Agustín Rojas (arquiteto, fotógrafo, jornalista de Buenos Aires, Argentina), Gabriela de Matos Moreira Barbosa (arquiteta e coordenadora-fundadora do coletivo brasileiro Arquitetas Negras) e Renato Cymbalista (arquiteto e professor da Universidade de São Paulo). O número de trabalhos selecionados pode variar de acordo com a qualidade e a relevância das propostas apresentadas. Os projetos selecionados serão posteriormente desenvolvidos com a equipe curatorial. A diretoria do IABsp poderá ser consultada pelo júri.

5.5. Critérios de avaliação: conceito, representatividade, exequibilidade e aderência aos temas da XII BIA. Se o custeio da proposta for requerido à Bienal, será analisada a viabilidade financeira. O resultado será comunicado aos participantes selecionados no dia 1º de maio de 2019. Devido a grande quantidade de projetos enviados, anunciaremos a nova data de divulgação em breve. Todas as decisões relativas à pertinência do material apresentado e à seleção final ficam a critério exclusivo do júri.

5.6. Os autores das propostas selecionadas têm total responsabilidade pelos materiais enviados, incluindo direitos autorais. Todas as mídias serão aceitas: projetos construídos e não-construídos, desenhos, diagramas, mapas, objectos, modelos, protótipos, componentes de construção, filmes, instalações, fotografias e outros.

5.7. Os autores das propostas selecionadas devem retirar os materiais enviados após a conclusão da XII BIA. Eventuais trabalhos remanescentes serão devidamente reciclados.

5.8. Consultas
Todos os pedidos de informação devem ser enviados para contato@bienaldearquitetura.org.br

5.9. O IABsp — responsável pela organização da XII BIA — se reserva o direito de realizar quaisquer alterações relativas ao evento que se façam necessárias.

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