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Cabana Zero

Alziro Carvalho Neto, Felipe Rio Branco e Júlia Carreiro

Implantação do projeto: Brasil
Desenvolvimento do projeto: Brasil

Habitar a Paisagem – Um sistema modular para construção de baixo impacto em ambientes remotos

Contexto e Conceito
A Cabana Zero é o protótipo de uma série de 11 abrigos concebidos para um retiro espiritual inspirado nas tradições indígenas da Amazônia peruana. A proposta busca simplicidade, baixo impacto e uma conexão direta entre espaço construído e natureza. Localizada na região serrana do Rio de Janeiro, articula um espaço interno compacto e um banheiro seco, ambos revestidos em madeira natural, destinados ao recolhimento individual. Em contraste, a varanda em madeira escurecida enquadra a paisagem e intensifica a imersão na mata.

Projeto e Construção
A estrutura apoia-se em seis pilares de madeira de 10×10 cm, remetendo à esbeltez dos troncos vizinhos. Vigas longitudinais e transversais, espaçadas a cada 1,20 m, definem o módulo cúbico de 2,40 m do espaço interno. Parte significativa da madeira foi reaproveitada de uma construção pré-existente no terreno, reduzindo impacto ambiental e conectando o projeto à história local. O fechamento possui isolamento em fibra de PET, e uma cobertura secundária cria uma camada de ar que reduz a carga térmica. Elevada do solo, a estrutura utiliza conexões metálicas aparafusadas e sapatas de concreto, facilitando a montagem, a desmontagem e a mínima interferência no terreno.

Autonomia e Ecologia
A cabana opera off-grid: não possui eletricidade; os resíduos são tratados por banheiros compostáveis e as águas cinzas por círculos de bananeiras, enriquecendo o solo. A ausência de espelhos e vidros reforça a proposta contemplativa e a desconexão buscada durante o retiro.

Sistema e Impacto
Como primeiro exemplar de um sistema replicável, o projeto foi concebido para áreas de difícil acesso, permitindo transporte e montagem por equipes reduzidas, sem maquinário pesado. Essa abordagem possibilitou a execução de outras 11 unidades em áreas de acesso mais difícil no mesmo terreno, validando a adaptabilidade do sistema a diferentes condições logísticas e geográficas.