4

Ciclopassarela jornalista Erika Sallum

Base Urbana (Catherine Otondo e Marina Grinover) e Pessoa Arquitetos (Jorge Pessoa)

Implantação do projeto: Brasil
Desenvolvimento do projeto: Brasil

(RE)PROGRAMAR E (RE)CONSTRUIR AS TRAVESSIAS SOBRE OS RIOS DE SÃO PAULO

O projeto da Passarela Erika Sallum teve início a partir de uma proposta apresentada em 2014, atendendo ao chamamento da Prefeitura de São Paulo no âmbito do Perímetro Urbano Arco Tietê. Optamos por estudar as transposições urbanas sobre os rios e identificamos uma desigualdade marcante entre as margens, tanto social, econômica, quanto culturalmente. Essa situação é agravada pela escassez de pontes bem localizadas que priorizam veículos privados e negligenciam pedestres e ciclistas. Na época, das 62 travessias sobre os rios Pinheiros e Tietê, nenhuma era exclusiva para mobilidade ativa – um cenário preocupante em uma cidade onde um terço da população se desloca a pé.

Nossa proposta foi escolhida, dando origem à primeira ciclopassarela de São Paulo, conectando os bairros densos e populares de Butantã e Pinheiros. Desde o início, buscamos que as cabeceiras da ponte atuassem como elementos ativadores do espaço público, conectando transporte coletivo, calçadas e ciclovias. Priorizamos acessos seguros e confortáveis que incentivassem o uso cotidiano da travessia. A passarela foi concebida como um passeio amplo, agradável e contemplativo, oferecendo vistas privilegiadas da cidade, das montanhas e do Pico do Jaraguá.

A estrutura conta com um acesso central que se liga diretamente à ciclovia da Marginal Pinheiros, ampliando seu uso nos fins de semana e para atividades de lazer. Por estar em uma região de tráfego intenso, a montagem utilizou elementos pré-fabricados: uma treliça metálica principal e um tablado de concreto. Os arranques foram moldados in loco sobre os canteiros, enquanto os trechos sobre o rio e as avenidas foram divididos em nove partes metálicas, içadas durante a noite e posicionadas com precisão sobre pilares de concreto.

A rápida apropriação da passarela pela população demonstra o potencial transformador de infraestruturas urbanas bem planejadas. Mais do que uma travessia, ela se tornou um símbolo da importância do investimento público na mobilidade ativa e na qualificação dos espaços urbanos, promovendo modos de transporte mais sustentáveis e o fortalecimento da vida coletiva nas cidades.