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Um jardim como semente de mundo

Estúdio Gustavo Utrabo

Implantação do projeto: Brasil
Desenvolvimento do projeto: Brasil

Como em uma coleção, em que objetos são selecionados e conservados, os fragmentos de uma construção existente – concreto, aço, alumínio, vidro – são preservados e reagregados. A forma ordenada é dissolvida para ser reelaborada a partir de seus escombros. Neste rearranjo, as frações de matérias colecionadas saltam daquilo que antes era apenas opacidade, tornando-se centelhas reveladas pela luz – por seus reflexos e por suas aberturas.

A coleção de fragmentos é acumulada em placas de concreto branco, e delimitam o jardim como um microcosmo. Dentro dele, um invólucro suspenso dos mesmos fragmentos conformam um lugar outro, onde encontram abrigo os espaços para escritório, galeria e suíte.

Uma escada, um pilar de madeira e uma obra de arte constituem os apoios da estrutura que suspende o invólucro em meio ao jardim. Lajes e vigas de madeira e aço conformam os pisos e funcionam como suporte para os elementos da fachada. O equilíbrio do conjunto é dado por um jogo preciso de pesos e trações irregularmente distribuídos. Sobre ele, dois planos horizontais conformam um pequeno pavilhão, que atravessa o limite virtual entre o novo e o existente.

Formas orgânicas dialogam com o caráter amorfo da luz, constituindo volumes diáfanos, que perfuram os pisos e organizam o espaço interno da nova proposta.

Transparentes e atmosféricos, esses corpos de luz trazem para dentro a presença do exterior, com todo o espectro oscilante de seus tons. De modo singular, parecem desorientar a percepção de interior e exterior, confundindo construído e não construído, e tornando latente a experiência de habitar um jardim. Um contraponto essencial para a casa ao lado – uma reforma de Ruy Ohtake dos anos 2000.