Implantação do projeto: Brasil
Desenvolvimento do projeto: Brasil

Bianca Cuvello, arquiteta e urbanista formada pela Universidade Federal do Amazonas, natural de Manaus, compreende que o desenvolvimento urbano da capital amazonense está intrinsecamente condicionado ao meio natural, em especial à extensa bacia hidrográfica que caracteriza a região. No entanto, a urbanização acelerada tem intensificado o fenômeno da periferização, gerando desafios complexos relacionados à inclusão social e ao acesso à moradia digna. A segregação espacial, nesse contexto, empurra populações de baixa renda para áreas onde a infraestrutura é precária e insuficiente.

Diante desse cenário, a proposta de habitações anfíbias surge como alternativa capaz de mitigar tais problemas, promovendo uma integração mais equilibrada entre os moradores e as áreas de várzea e alagadiças. A arquitetura anfíbia, concebida para se implantar sobre as águas, busca aliar sustentabilidade e inovação tecnológica a soluções construtivas adaptadas ao entorno, combinando duas tipologias estruturais fundamentais: a palafítica e a flutuante.

Essa estratégia reafirma os limites e potencialidades impostos pelos condicionantes naturais da Amazônia, ao mesmo tempo em que possibilita a ocupação de espaços urbanos historicamente negligenciados e pouco adensados. Além disso, a proposta dialoga com as questões sociais e habitacionais da cidade a partir de diretrizes projetuais alinhadas aos 5 pontos para uma arquitetura na Amazônia (Cereto, 2024). Trata-se, portanto, do objetivo de refletir sobre soluções habitacionais que não apenas respondam às especificidades ambientais de Manaus, mas que também promovam a integração social das populações marginalizadas ao tecido urbano consolidado.

Assim, a tipologia de habitações anfíbias pretende assegurar funcionalidade e eficiência, incorporando equipamentos adequados e sistemas construtivos coerentes com as restrições econômicas locais, especialmente em um contexto marcado pela escassez de recursos.

Os Envolvimentos promoveram uma abertura de diálogo com movimentos sociais e territórios diversos, convergindo na exposição da 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, que acontece de 18 de setembro a 19 de outubro, na OCA, no Parque Ibirapuera. Arquitetos e lideranças das aldeias, dos terreiros, das ribeiras e das periferias investigaram juntos arquiteturas para habitar um mundo quente em debates que aprofundaram as ideias centrais da exposição.

Foram convidados para dialogar atores envolvidos em projetos realizados em diversas territorialidades e contextos que elaboram questões como o convívio com as águas e inundações, a salvaguarda do patrimônio, a proteção e o manejo sustentável da floresta, a agricultura urbana, os mecanismos de viabilização de modos de vida de baixo impacto ambiental e o reconhecimento da natureza como sujeito de direitos. São modos de habitar, construir, perceber, participar e transformar o território.

1º Envolvimento – Decretar Emergência

Este primeiro encontro discute a atuação de arquitetos na emergência e na adaptação a desastres, antes e depois de ocorrerem. Aborda a convivência com o risco e a preparação comunitária, além da atuação em escalas urbanas e territoriais.

Convidados:

Joice Paixão
Associação Gris Espaço Solidário
Recife, PE, Brasil

Cientista social, pesquisadora, educadora social, mediadora de conflitos, terapeuta comunitária, Coordenadora da Articulação Recife de Luta, operativa da Rede nacional por Adaptação Antirracista e coordenadora territorial da Rede de Governança para enfrentamento ao racismos ambiental. Co-fundadora e atual presidenta da Associação Gris Espaço Solidário, que oferece apoio psicossocial a crianças e famílias em vulnerabilidade no bairro da Várzea, em Recife.

Maria Alice Pereira da Silva
Morro da Pedra de Oxossi
Salvador, BA, Brasil

Advogada, mestre e doutora em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA, é sócia do Instituto dos Advogados da Bahia e consultora da OMPI. CEO da PX Assessoria, atua na integração de saberes tradicionais e justiça socioambiental. Ativista e guardiã da Pedra de Xangô. Atua na defesa do Morro da Pedra de Oxossi, local sagrado em Maraú (BA) com importância histórica, cultural, religiosa e ambiental em risco de ser transformado em pedreira.

Fernanda Accioly
Instituto Pólis
São Paulo, SP, Brasil

Arquiteta e urbanista formada pela FAUUSP, com mestrado, doutorado e pós-doutorado em Habitat e Planejamento Urbano e Regional. Tem ampla experiência na gestão pública municipal e federal. Foi Secretária Executiva do Instituto Pólis, organização da sociedade civil que elaborou, em parceria com a comunidade local, o Plano Comunitário de Defesa Civil e Adaptação à Crise Climática da comunidade caiçara de Ponta Negra (RJ).

Autoria das imagens:

Imagem 1 – Gustavo Caboco – Baixe a imagem aqui

Imagem 2 – Estúdio Guanabara – Baixe a imagem aqui

ENVOLVIMENTOS

FICHA TÉCNICA

Curadoria e mediação: Marcella Arruda e Marina Frúgoli

Produção: Julia Delmondes

Estagiários: Matheus de Sousa e Yasmin Guerra

Registros Gráficos: Estúdio Guanabara e Gustavo Caboco

Os Envolvimentos promoveram uma abertura de diálogo com movimentos sociais e territórios diversos, convergindo na exposição da 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, que acontece de 18 de setembro a 19 de outubro, na OCA, no Parque Ibirapuera. Arquitetos e lideranças das aldeias, dos terreiros, das ribeiras e das periferias investigaram juntos arquiteturas para habitar um mundo quente em debates que aprofundaram as ideias centrais da exposição.

Foram convidados para dialogar atores envolvidos em projetos realizados em diversas territorialidades e contextos que elaboram questões como o convívio com as águas e inundações, a salvaguarda do patrimônio, a proteção e o manejo sustentável da floresta, a agricultura urbana, os mecanismos de viabilização de modos de vida de baixo impacto ambiental e o reconhecimento da natureza como sujeito de direitos. São modos de habitar, construir, perceber, participar e transformar o território.

Convidados:

Jean Ferreira
Belém, PA

De Belém do Pará, do bairro do Jurunas. É co-fundador do Gueto Hub e da COP das Baixadas, co-curador de programas públicos da 2ª Bienal das Amazônias e ativista pelo acesso à cultura, memória e ao debate climático para as periferias.

Jerá Guarani
São Paulo, SP

Jera Guarani, liderança da aldeia Kalipety, na TI Tenonde Porã, no extremo Sul de São Paulo. Formada em Pedagogia, atua como Agente Ambiental, promovendo a recuperação de sementes tradicionais, de áreas degradadas e de florestas na terra indígena.

Mãe Carmem de Oxalá
Guaíba, RS

Mãe Carmen de Oxalá, ialorixá gaúcha. É vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul e compõe a Executiva da Comissão Nacional de Pontos de Cultura – CNPDC. É atuante no combate à intolerância religiosa e formada em Psicologia.

Marcele Oliveira
Rio de Janeiro, RJ

Produtora, comunicadora e ativista climática, integrou a Agenda Realengo 2030 e é diretora executiva do Perifalab. Pesquisa Justiça Climática e Racismo Ambiental vinculado às pautas de ocupação dos espaços públicos e direito à cidade, com o foco em cultura e clima.

O impacto do mundo mais quente nas cidades litorâneas será ainda maior. É inevitável aprender a conviver com o aumento do nível dos mares e a obsolescência das infraestruturas. Assim serão as regiões costeiras urbanizadas, tema transversal dessa sessão temática, cujo território urge por soluções inovadoras e radicais da arquitetura. Os cinco eixos propostos serão abrangidos pela sessão, que enfrentará temas como a necessidade de ampliação dos serviços portuários com a preservação das florestas e mangues, a abordagem histórica e contemporânea de infraestruturas de drenagem, os booms imobiliários e a insistência em soluções rodoviaristas, as experiências em habitação oriundas de diferentes esferas político-ideológicas.

Apresentações:
Um território anfíbio e pecilotermo: a Baixada Santista como estudo
Fabrício Ribeiro dos Santos Godoi

Infraestruturas verdes e azuis: soluções baseadas na natureza para mitigação das ilhas de calor na Baixada Santista
Janaina C. Botari, Poliana F. Cardoso e Adriana B. Alcântara

Água alta: adaptação climática e resiliência costal em Santos
Nathan Lavansdoski Menegon

A gestão de conflitos como prática no planejamento urbano: a experiência do Projeto Arquipélago em Porto Alegre/RS
Camila Mabel da Cunha Kuhn, Raquel Silva, Amanda Kovalczuk e Julia Boff

Adaptação em crise: o discurso dissociado da prática em João Pessoa – PB
Renato Régis Araújo e Ruth Maria da Costa Ataíde

Gratuito

Inscrições

As inscrições devem ser feitas aqui.

A seleção será feita por ordem de inscrição.

As inscrições estarão abertas até o inicio da atividade, no local, desde que haja vagas disponíveis.

A emergência climática impõe novos paradigmas à arquitetura, que precisa conciliar sustentabilidade, inovação e impacto social. A mesa “Arquitetura Contemporânea e Emergência Climática” parte da premissa de que público e privado se entrelaçam na responsabilidade ambiental. O trabalho da KAAN Architecten busca criar edifícios que impactem positivamente pessoas e natureza, integrando materiais sustentáveis, adaptação climática e valorização cultural. Reutilizamos estruturas existentes, promovemos densificação urbana com pavimentos ativos e construímos espaços valorizados pela comunidade. Durante a sessão, Renata Gilio, Vincent Panhujsen e Marco Peixe apresentarão exemplos concretos organizados em cinco temas: baixo carbono, integração comunitária, reutilização de estruturas, densificação urbana e reflexão sobre mudanças regulatórias. Os exemplos apresentados serão: Biblioteca Lagoa do Sino da UFSCar em Buri/SP, Strijp S – Matchbox em Eindhoven (Países Baixos), Tribunal de Nancy (França), Utopia – Biblioteca e Academia de Artes em Aalst (Bélgica), Tribunal de Amsterdam (Países Baixos), Ecomuseu do Parque Orla Piratininga em Niterói/RJ, NBB National Bank (Bélgica), FAMA – Fábrica de Arte Marcos Amaro em Itu/SP e Lumière em Rotterdam (Países Baixos).

Apresentações:

Construir com terra estabilizada: a importância do sul global para o uso da terra na construção
Rodrigo Amaral do Prado Rocha

Bairros solares e arquitetura climática: estratégias urbanas integradas para um mundo quente
Ricardo Calabrese

¿Qué puede un museo en el borde?
Maria Eugenia Cordero

Mudanças climáticas e a Agenda ESG: políticas públicas como vetores de resiliência e redução da vulnerabilidade?
Marcio Valério Effgen

Entre o trovão e a terra: arquitetura para a justiça climática no Parque Pedra de Xangô – Salvador, Bahia
Fernanda Viegas Reichardt, Sandra Akemi Shimada Kishi, Bruno Amaral de Andrade, Celso Almeida da Silva Cunha e Maria Alice Pereira da Silva

Gratuito

Inscrições

As inscrições devem ser feitas aqui.

A seleção será feita por ordem de inscrição.

As inscrições estarão abertas até o inicio da atividade, no local, desde que haja vagas disponíveis.

Esta sessão propõe refletir sobre o papel transformador das Soluções Baseadas na Natureza (SbN) na reconfiguração ecológica, simbólica e social dos espaços públicos urbanos. Inserida no segundo eixo temático da 14ª BIAsp – Conviver com as águas –, a proposta parte de experiências que aliam arquitetura, urbanismo e paisagismo à regeneração de ecossistemas, valorizando estratégias que fortalecem a resiliência territorial e a justiça climática.

Serão apresentadas iniciativas que vão da renaturalização de corpos hídricos e estabilização de encostas ao redesenho urbano e à cocriação comunitária de espaços públicos, discutindo a aplicação de SbN como estratégia para a resiliência climática, a justiça ambiental e a reconexão da cidade com seus sistemas hídricos.

Entre os destaques, serão apresentadas experiências de projetos que envolvem a temática proposta para discussão, de autoria do escritório Ecomimesis Soluções Ecológicas, na mesa representado por seus sócios Amanda Saboya, Caroline Fernandes e Pierre-André Martin. Em especial, será apresentado o Parque Realengo Susana Naspolini, no Rio de Janeiro, um projeto que contempla uma ampla gama de Soluções baseadas na Natureza voltadas à gestão das águas pluviais e a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

A sessão convida ainda à participação de outras experiências nacionais e internacionais – urbanas, periféricas ou naturais – que abordem a convivência com a água como ferramenta de reestruturação urbana, regeneração ambiental e inclusão social, contribuindo para uma agenda ampla de inovação em infraestrutura ecológica sensível ao território.

Apresentações:

Sustentabilidade urbana: mapeando conexões verdes e azuis no entorno do Parque Realengo, RJ
Pierre-André Martin, Amanda Saboya e Caroline Fernandes

Wetland Living Lab: water as a generator of a post-carbon landscape
Oriana Alessandra Durán del Valle, Mariela Martínez Álvarez e Andrea Reyna Aguilar

Experiências de contenção em bambu para encostas no Município de Franco da Rocha – SP
Nathalia da Mata Mazzonetto Pinto e Marcos Paulo Ladeia

Da microbacia do rio Jaguaribe à justiça climática: espaços públicos como suporte a Soluções Baseadas na Natureza e compensação hídrica em João Pessoa
Bruna Ramos Tejo e Ruth Maria da Costa Ataíde

Soluções comunitárias baseadas na natureza na Bacia do Córrego Uberaba, São Paulo/SP
Elisa Ramalho Rocha, Lara Cristina Batista Freitas e Luis Octavio P. L. de Faria e Silva

Gratuito

Inscrições

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As pesquisas em mudanças climáticas partem de observações dos fenômenos ambientais e, fundamentalmente, estão baseadas em dados científicos medidos em sítios específicos, indicados em mapeamentos prévios como pontos de interesse especial. O conjunto dessas informações se transforma em conteúdo científico nas mais diferentes áreas de conhecimento, inclusive na arquitetura e no urbanismo. Nossa proposta é destacar a importância do trabalho de campo, como monitoramento da situação climática. Consideramos o monitoramento baseado em metodologias cruzadas. Por consequência, como desdobramento deste conhecimento específico, destacamos as etapas envolvidas nesses processos de pesquisa: o desenvolvimento de dispositivos, sensores; a coleta de dados; as análises posteriores; modelos de dados e propostas baseadas no monitoramento prévio. Pensar o desenvolvimento sustentável engloba a transdisciplinaridade e o trabalho coletivo, sem o qual urbanistas não se aproximariam da complexidade ambiental enfrentada hoje. Convidamos ao debate sobre o monitoramento como parte de uma contribuição consistente e transversal as urgências planetárias.

Apresentações:

A contribuição do monitoramento da Alameda de Talca para o Estudo de Bacia do Río Claro
Sílvia Maciel Sávio Chataignier, Carlos Esse e Rodrigo Santander

O Experimento em Mundo Real (EMR) de Natal
Jean Leite Tavares

Monitoramento microclimático a partir de dados abertos: um estudo de caso no Complexo da Maré (RJ)
Carolina Hartmann Galeazzi

Variabilidade climática e tendências de temperatura, precipitação e radiação solar nos Estados de São Paulo e Rio Grande do Norte: análise temporal e implicações regionais
Camila Fernanda Aparecida Silva e Márcia Akemi Yamasoe

As pesquisas em mudanças climáticas partem de observações dos fenômenos ambientais
Rodrigo Mendes de Souza

Possibilidades e contradições dos instrumentos urbanísticos e ambientais para o enfrentamento da crise climática em Natal-RN
Sarah de Andrade e Andrade, Ruth Maria da Costa Ataíde, Venerando Eustáquio Amaro e Larissa Nóbrega Sousa

Gratuito

Inscrições

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As inscrições estarão abertas até o inicio da atividade, no local, desde que haja vagas disponíveis.

Implantação do projeto: Brasil
Desenvolvimento do projeto: Brasil

O Programa Mananciais é uma política pública de urbanização integrada voltada às áreas de mananciais de São Paulo, com foco nas bacias hidrográficas da Guarapiranga e Billings. Sua origem remonta à década de 1990, quando foi criado o Programa Guarapiranga, um marco pioneiro de intervenção socioambiental na cidade. Ao longo de três décadas, a iniciativa evoluiu para abarcar novos territórios e metodologias, consolidando-se como referência na conciliação entre urbanização e preservação ambiental.

Idealizado por Elisabete França, arquiteta e urbanista reconhecida por sua atuação em políticas habitacionais e de requalificação urbana, o Programa ganhou, em 2021, uma nova estrutura institucional com a criação da Secretaria Executiva do Programa Mananciais. Elisabete foi a primeira secretária executiva (2021–2024), liderando a retomada da Fase 3 e estruturando a atuação integrada entre diferentes áreas da Prefeitura. A partir de 2024, a gestão passou a ser conduzida por Maria Teresa Fedeli, que mantém a estratégia de atuação intersetorial e reforça a dimensão social e comunitária do Programa.

A Secretaria Executiva conta com uma equipe multidisciplinar, majoritariamente composta por mulheres jovens, que atuam diretamente no planejamento, na coordenação e no acompanhamento das obras. Essa composição imprime ao Programa uma perspectiva inovadora, sensível às questões de gênero, inclusão social e equidade territorial.

A estratégia da Fase 3 combina obras de saneamento, drenagem, contenção, pavimentação e habitação, com ações sociais, culturais e ambientais que fortalecem a resiliência urbana e a justiça climática. Um dos diferenciais é a adoção de Soluções Baseadas na Natureza como jardins de chuva, biovaletas, lagoas de retenção e parques fluviais, que integram drenagem urbana e preservação ambiental ao desenho da cidade.

O Programa também promove a implantação de equipamentos públicos – Unidades Básicas de Saúde, Centros de Educação Infantil, Espaços TEIA, bibliotecas, áreas esportivas e culturais –, articulando parcerias intersetoriais com diferentes secretarias. Essas estruturas funcionam como âncoras sociais, aproximando serviços essenciais da população e fortalecendo vínculos comunitários.

A participação social é eixo estruturante: oficinas, escutas, plantios coletivos e atividades culturais aproximam moradores do processo de transformação urbana, estimulando o pertencimento e a corresponsabilidade pelo território. Experiências emblemáticas, como a urbanização do Jardim da União, demonstram como o conjunto das intervenções pode promover dignidade, integração e novas oportunidades para comunidades historicamente vulnerabilizadas.

Mais do que obras, a Fase 3 representa um pacto urbano e ambiental que reconhece a interdependência entre cidade e natureza. Ao promover intervenções integradas e sustentáveis, o Programa reforça que a urbanização de qualidade é também uma estratégia de proteção dos mananciais, de redução das desigualdades e de fortalecimento da resiliência climática.

Implantação do projeto: Brasil
Desenvolvimento do projeto: Brasil

O Nova Eldorado nasce em um território singular, situado em área de banhado entre as bacias hidrográficas do Baixo Jacuí e do Lago Guaíba, no ponto de transição entre os biomas Pampa e Mata Atlântica. O terreno, de relevo plano e histórico de rizicultura, exige soluções inteligentes para drenagem e manejo das águas pluviais. Nesse contexto, a gestão hídrica se torna elemento estruturador, orientando diretrizes de desenvolvimento e ocupação.

Mais que um empreendimento urbano, trata-se de um bairro planejado com foco em sustentabilidade, qualidade de vida e integração entre cidade e natureza. Por meio de soluções baseadas na natureza, infraestrutura, comunidades e ciclos naturais são conectados de forma a valorizar o ecossistema local e potencializar sua resiliência.

O projeto urbanístico, desenvolvido pela Area Urbanismo, e as soluções urbanas de drenagem, elaboradas pela Geasa Engenharia, traduzem essa visão em um plano integrado, no qual o projeto de paisagismo e desenho urbano, assinado pela PLANTAR, desempenha papel central: organiza espaços públicos, costura áreas verdes e corredores ecológicos, transforma a água em protagonista e cria ambientes que incentivam mobilidade ativa, uso coletivo e convivência.

O grande parque central, implantado às margens dos lagos de amortecimento no coração do bairro, alia função ambiental à valorização da paisagem natural, tornando-se eixo estruturador de fluxos, atividades e encontros. Com programas que animam o cotidiano — feiras, eventos comunitários, espaços esportivos e áreas de convivência —, o parque se consolida como ponto de encontro e pulsação urbana do Nova Eldorado, promovendo bem-estar, interação social e contato com a natureza.

As villas, dispostas perpendicularmente ao parque, estabelecem transições suaves na paisagem, abrigam usos específicos e reforçam a presença da urbanidade. Suas paletas cromáticas, inspiradas na floração local, e o mobiliário urbano contribuem para criar marcos afetivos, fortalecendo o vínculo entre moradores e território.

Empreendimento da ABC & Embralot, o Nova Eldorado conta com a concepção de paisagismo e desenho urbano da PLANTAR, estúdio especializado em projetar e qualificar territórios, atuando na intersecção entre paisagem, cidade, arquitetura e design. Fundada em 2016 pelos arquitetos Luciana Pitombo e Felipe Stracci, a PLANTAR alia percepção sensível, visão multidisciplinar e rigor técnico para articular agentes, sistemas e saberes, propondo soluções que fortalecem relações, qualificam espaços e transformam realidades.

Com expertise em múltiplas escalas — do mobiliário e jardins a bairros, parques e áreas urbanas complexas — o estúdio oferece entrega full service para áreas externas, incluindo estudos de viabilidade, planos de negócios e gestão operacional, com domínio de ponta a ponta, da consultoria e estruturação à implantação e operação.

Seu propósito é criar lugares que conectem pessoas à natureza, aos outros e a si mesmas, gerando valor social, ambiental, econômico e cultural. Em todo o território nacional, a PLANTAR já estruturou mais de 60 projetos de concessões e PPPs para parques e ativos de uso público, além de empreendimentos privados em diversas tipologias e segmentos, sempre com foco em sustentabilidade, inovação e conexão entre natureza e urbanidade.

Implantação do projeto: China
Desenvolvimento do projeto: China

A urbanização acelerada é, sem dúvida, uma espada de dois gumes. Embora traga dividendos econômicos e demográficos, o ritmo excessivo de desenvolvimento espacial e crescimento populacional tem levado a graves carências de terra. O aumento da população sobrecarregou a infraestrutura pública e os sistemas de apoio, criando desequilíbrios significativos. Questões como escassez de energia e água, juntamente com uma capacidade ambiental sobrecarregada, impactam diretamente a qualidade de vida pública e o futuro sustentável da cidade.

Esta exposição apresenta 5 projetos de design representativos e orientados por pesquisa da NODE Architecture & Urbanism ao longo dos últimos anos em Shenzhen. O objetivo é fornecer uma visão abrangente da prática criativa “não típica” da NODE na renovação urbana e na publicização da infraestrutura, enfatizando a exploração ontológica da arquitetura. Além disso, a exposição inclui um projeto de pesquisa do Greater Bay Area Innovation Design Lab intitulado “Água e Urbanização: O Caso de Shenzhen”, que aborda questões relacionadas a terra, infraestrutura hídrica e a interconexão de espaços públicos. Este projeto oferece tanto uma reflexão sistemática sobre ambientes hídricos em escalas regional e urbana quanto perspectivas de design para futuras soluções de crises relacionadas.

Doreen Heng LIU, Fundadora e principal da NODE Architecture & Urbanism (NODE), Arquitetura Chartered pelo Royal Institute of British Architects (RIBA); Doutora em Design pela Universidade de Harvard; Membro da Sociedade de Arquitetura da China. LIU e seu estúdio NODE estão sediados em Shenzhen e Hong Kong, realizando práticas diversificadas de arquitetura e design urbano na PRD e em uma região mais ampla há anos. Desde setembro de 2020, foi nomeada Professora Catedrática na Escola de Arquitetura e Planejamento Urbano da Universidade de Shenzhen e Diretora do Greater Bay Area Innovation Design Lab.

A NODE Architecture & Urbanism foi estabelecida em 2004. Como um dos escritórios independentes de arquitetura mais influentes do sul da China, tem recebido ampla atenção no país e no exterior. Com foco no espaço urbano e na vida pública, insistindo na pesquisa e prática ontológica, perseguindo a inovação com base em um pragmatismo rigoroso, explorando a lógica própria dos conceitos arquitetônicos em relação à abertura e compatibilidade. Por meio da interação e estímulo interdisciplinares, o estúdio mantém sua natureza prospectiva e experimental na prática de design arquitetônico.

A Shenzhen University The Greater Bay Area Innovation Design Lab foi oficialmente estabelecida em 2021. Fundada por Doreen Heng Liu, o laboratório é um pioneiro em pesquisa e design na atual GBA e na urbanização global. Por meio de métodos de pesquisa orientados ao design e abordagem interdisciplinar, combinando ensino, exposição, publicação, conferências acadêmicas, prática de design experimental e pesquisa & desenvolvimento, o GBA Lab dedica-se à integração transversal e à exploração de soluções inovadoras centradas no ser humano para problemas espaciais urbanos e rurais contemporâneos.

Equipe do Projeto: NODE Architecture & Urbanism
1 Eclusa do Rio Yong-chong: Doreen Heng Liu, Jiebin Huang, Youzhi Wang
2 Paisagem KU: Memórias no Terreno: Doreen Heng Liu, Yijuan Wu, Liu Yang, Zanning Huang, Zhang Shihan, Xu Jingyue, Ruan Yiling, Ni Xiaoyi, Peng Ziqi (Estagiário)
3 Base de Cultura da Água de Lótus de Shenzhen: Doreen Heng Liu, Jiebin Huang, Zanning Huang, Liu Yang, Xu Jingyue, Lin Xiaohong, Huang Junhao, Yang Jiahui, Xu Zhibo, Lu Qingsong, Zhou Yupeng
Estagiários: Lu Weimin, Zeng Shuya, Wang Manzhi, Tang Yueyu, Li Xin, Tian Haoyuan
4 Ponte Pedestre da Escola Secundária de Pingshan: Doreen Heng Liu, Jiebin Huang, Yijuan Wu, Zhang Shihan
5 Terraço de Pingshan: Doreen Heng Liu, Jiebin Huang, Zhang Shihan, Lian Chen, Lu Qingsong, Chang Xueshi (Estagiário)

Equipe de Pesquisa: GBA Lab – The Greater Bay Area Innovation Design Lab, Shenzhen University
Diretora: Doreen Heng Liu
Si Liu, Yu Yan, Haoyang Wu
Equipe de Pesquisa e Cenários: Fanrui Cheng, Weixin Chen, Junhao Zhang, Juncheng Zou, Yongkang Peng

Implantação do projeto: Brasil
Desenvolvimento do projeto: Brasil

A Pedra de Xangô, formação rochosa com 27 m de diâmetro e 15 m de altura localizada na periferia de Salvador, Bahia/Brasil, possui um forte caráter mítico e histórico. Segundo relatos orais, negros escravizados, ao fugirem, passavam por sua fenda e desapareciam. Símbolo de resistência reconhecido como “Altar de Xangô”, a pedra é um monumento sagrado para religiões de matriz africana e foi tombada pelo município em 2017, após mobilização social. Inserida numa área de proteção ambiental, constitui-se num elemento central da APA Assis Valente e originou a criação do Parque da Pedra de Xangô, com 4,46 ha, primeiro do Brasil a receber o nome de um Orixá.

Elaborado em 2018 pela FFA Arquitetura e Urbanismo para Fundação Mário Leal Ferreira (Prefeitura Municipal de Salvador), através de um processo participativo envolvendo órgãos públicos, comunidades e terreiros do entorno, o projeto reafirma o simbolismo cultural e religioso do local, integrando natureza e espaço construído. Entre as ameaças identificadas estavam o impacto da Av. Assis Valente e a pressão de ocupação sobre a mata. Como resposta, propôs-se um desvio viário, criando uma zona de amortecimento e uma bacia de retenção associada às lendas locais, além de uma via de monitoramento ambiental para proteção da vegetação.

O partido urbanístico foi estruturado em três camadas: vivência (caminhos e espaços de convergência da cultura afro-brasileira), memória (suporte à memória afro, integrando pedra, água e vegetação) e intimidade (trilhas estreitas na mata, para experiências mais recolhidas). O programa incluiu um edifício de apoio com auditório, espaço para memorial das nações do candomblé e espaços administrativos e de manutenção, sendo articulado por uma parede de taipa de pilão que resgata técnicas tradicionais.

A implantação respeitou a topografia, ocupando área previamente desmatada, e fomentou uma simbiose entre o edificado e ambiente natural. O edifício apresenta cobertura verde ajardinada, ventilação cruzada, aproveitamento de água da chuva e energia solar. Os materiais utilizados — terra estabilizada, tijolo ecológico, madeira, pedra natural e aço corten — asseguram baixo impacto ambiental e alto desempenho termoacústico. O paisagismo destacou espécies sagradas, reforçando a integração com a natureza e o caráter religioso do parque.

Para a realização do projeto, em especial pela adoção de técnicas de bioconstrução numa obra pública, foi fundamental o apoio das equipes dirigente e técnica da Fundação Mário Leal Ferreira e uma consultoria especializada acadêmica. A intensa participação das comunidades de matriz africana garantiu a expressão do simbolismo da pedra, da terra crua e da vegetação enquanto moldura primordial. Inaugurado em maio de 2022, o Parque da Pedra de Xangô configura-se, assim, como um espaço emblemático de resistência cultural e integração ambiental, contribuindo para o enfrentamento das mudanças climáticas e para o fortalecimento da identidade afro-brasileira em Salvador.

Implantação do projeto: EUA
Desenvolvimento do projeto: EUA

O presente projeto investigou a relação entre sistemas alimentícios, arquiteturais e urbanísticos no âmbito da produção agrícola sustentável e autossuficiente existente no Havaí. Apesar de ser o único estado dos EUA com uma temporada agrícola de 12 meses, a ilha atualmente possui apenas 10 dias de reserva alimentar caso suas conexões aéreas e/ou marítimas com o continente sejam comprometidas. Nesse mesmo contexto remoto, há cerca de 1000 anos atrás foi criado o “O Ahupua’a”, que é um sistema tradicional de gestão de recursos naturais. Nesse sistema, elementos ecológicos se organizam e retroalimentam em uma faixa vertical que se extende do oceano à montanha. Dentro da secção geológica, através da co-existência de habitação e cultivo da terra, o sistema transforma a bacia hidrográfica em uma plataforma tecnológica intensiva de produção de alimentos. Antes da invasão européia (1778), vários destes sistemas era totalmente funcionais e sustentavam uma população estimada em 800.000 habitantes. Atualmente apenas alguns fragmentos como campos de lagoas (Lo’i), viveiros de peixes (loko) e terraços de terra seca (Kuaiwi) ainda podem ser encontrados dispersos pelas ilhas.

Para sincronizar demandas por urbanização e produção alimentícia com estratégias vernaculares e gerenciamento de condições ambientais da bacia hidrográfica e oceânica, o plano diretor proposto visa otimizar o sistema produtivo existente, mediando o desenvolvimento da sua urbanização, assumindo o papel de sistema de apoio. Ao introduzir a produção de alimentos à escala do bairro através da manipulação do relevo existente, a arquitetura e a paisagem tornam-se um sistema integrado.

A nova morfologia urbana possibilita a purificação e retenção hídrica para irrigação de hortas urbanas. O sistema proposto redesenha também o trajeto fluvial respondendo a parâmetros como topográfica, formação rochosa, e vegetação existente. Ao criar córregos e lagoas de contenção/tratamento para a irrigação das plantações integradas ao sistema habitacional, são estabelecidas zonas de amortecimento ecológico, promovendo assim um adensamento sustentável da periferia urbana adjacente a áreas de proteção ambiental.

Os desafios enfrentados por Oahu com a crescente pressão por urbanização de áreas de valor ambiental não são exclusivos: países do sul global como o Brasil poderiam se beneficiar de um sistema de organização territorial como Ahu’pua. Muitas ilhas e baías no território brasileiro também apresentam condições muito semelhantes a Oahu: clima tropical, terreno montanhoso, com riachos de água doce, e precipitação fluvial suficiente para sustentar plantios sem irrigação mecânica. Alguns exemplos notáveis são as ilhas de Florianópolis, Fernando de Noronha, a região de ilha Grande. Esta última em particular vem sofrendo grandes pressões por urbanização do território, em especial devido à indústria do turismo.

Implantação do projeto: Brasil, Bolívia
Desenvolvimento do projeto: Brasil, Bolívia

Forest Gens é um projeto de cartografia crítica que revela a extensão das transformações antropogênicas na Amazônia. Utilizando técnicas avançadas de mapeamento no contexto amazônico, o projeto torna visíveis as múltiplas camadas que compõem a região. Desde a pegada das sociedades atuais até manipulações territoriais que datam de séculos atrás, o mapeamento apresenta a Amazônia como uma paisagem complexa e moldada pelo ser humano, e não como uma floresta homogênea e intocada.

O trabalho retrata o território amazônico em múltiplas escalas, destacando como a interação entre a geografia e as intervenções humanas — passadas e presentes — permite desenvolver hipóteses sobre a ocupação da região. O foco em dados recentes obtidos por imagens de sensoriamento remoto na região de Cotoca, na Bolívia, revela vestígios arqueológicos de antigas formas de urbanismo tropical de baixa densidade. Da mesma forma, um sistema de sítios interconectados de terras pretas de índio — resíduos orgânicos da ocupação humana usados para estimar o tamanho e a duração dos assentamentos antigos — sugere uma manipulação prolongada do ambiente amazônico por sociedades humanas.

Em conjunto, essas visualizações contribuem para ampliar a consciência sobre os rastros que nossas formas de nos relacionar com essa paisagem deixaram ao longo da história, alterando profundamente os limites entre natureza e sociedade nesse ambiente. Espera-se que o trabalho contribua para o crescente debate sobre como nossas sociedades podem reinventar a relação entre urbanização e preservação da natureza, e imaginar futuros radicalmente novos — e menos antropocêntricos — para a Amazônia.

Autoria
Concepção: POLES | Political Ecology of Space
Colaboração: AO | Architects Office
Equipe:
Gabriel Kozlowski (Direção)
Miguel Darcy
Carol Passos
Thiago Engers
Chiara Scotoni
Pesquisa Arqueológica na Bolívia (Direção):
Heiko Prümers
Carla Jaimes Betancourt

TOUR VIRTUAL DA 14ª BIAsp 

A 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, Extremos: Arquiteturas para um mundo quente, se expandiu para além do espaço físico e agora pode ser visitada de qualquer lugar! 

O tour virtual propõe uma nova leitura da exposição, que ocorreu de 18 de setembro a 19 de outubro na Oca no Parque Ibirapuera, permitindo percursos de forma fluida, livre e intuitiva entre os ambientes. Durante a visita estão disponíveis os conteúdos curatoriais, imagens em alta definição e detalhes que aprofundam a compreensão espacial e conceitual das obras. 

A plataforma amplia o acesso, preserva a memória da Bienal e cria novas formas de vivenciar a arquitetura. 

Visite aqui a 14ª BIAsp!  

Explore no seu próprio ritmo, revisite percursos e aprofunde experiências. 

Em breve o tour virtual estará disponível no site do IABsp (Instituto de Arquitetos do Brasil – dep. São Paulo)