13ª

Ministério do turismo, secretaria especial da cultura e belgo bekaert arames apresentam

Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Penha

Av. Penha de França, 4 - Penha de França, São Paulo - SP, 03634-080

Igreja Nossa Senhora dos Homens Pretos da Penha: Av. Penha de França, 4. Foto Vinicius O.F.P., abril 2019. Recorte do mapa do Google Maps.

A Igreja do Rosário dos Homens Pretos da Penha, construída em junho de 1802, pertence a um grupo religioso chamado Irmandade dos Homens Pretos. Essas igrejas são lugares construídos e gerenciados por mulheres e homens pretos e palco de diversas maneiras de resistir desde o período colonial.

A irmandade católica está presente em várias cidades brasileiras, africanas e europeias, sendo um fruto da diáspora africana.  Apesar de suas diferenças territoriais e culturais, funcionam como espaço de resistência e encontro dos corpos e territórios negros.

Desde 2002, a Comissão do Rosário dos Homens Pretos da Penha de França realiza festas para comemorar a existência do patrimônio e conscientizar a população da cidade de São Paulo sobre seu histórico de resistência e celebração. 

Como disse Beatriz Nascimento, as resistências foram diversas e em todas elas existe um pouco do kilombo.

https://www.youtube.com/watch?v=RKwb93Et5o4

 

Placa localizada dentro da Igreja:

Capela de Nossa Senhora do Rosário da antiga Irmandade dos Homens Pretos da freguesia da Penha de França, testemunha histórica da solidariedade, do sofrimento e da esperança na redenção. O pedido para a sua ereção é de junho de 1802.

 

Texto Kilombo de Beatriz Nascimento:

Marca-se, como no quilombo ancestral e por ritos iniciáticos, o fortalecimento do indivíduo como um território que se desloca no espaço geográfico, incorporando um paradigma vivo e atuante no território americano fundado pelos seus antepassados escravos e quilombolas. 

Agindo nos seus locais, seja no terreiro místico, nas comunidades familiares, nas favelas, nos espaços recreativos (manifestando a música de origem africana, afro-americana ou afro-brasileira), os povos africanos da América provocam mudanças nas relações raciais e sociais.

Ocupando o espaço com seu corpo físico (território existencial), eles apoderam-se da cidade, reproduzindo o modo dos antigos quilombolas, tornando-se, como aqueles, visíveis ao regime. Fazendo deste espaço descontínuo no tempo, em que as “frinchas” provocam linhas de fuga e são elementos de dinamização que geram um meio social específico. 

Assim se dava com os quilombos e seus similares ao longo da história da América. Assim se dá hoje com os grupos negros ou afro-americanos. 

(Publicado em revista da Burkina Faso, Nommo., 1990)