13ª

Ministério do turismo, secretaria especial da cultura e belgo bekaert arames apresentam

Sesc 24 de Maio

R. 24 de Maio, 109 - República, São Paulo - SP, 01041-001

Obra

Essa palavra sempre povoou meu imaginário, meu pai dizendo do seu ir e vir da obra, das obras, enquanto preparava meu lanche e o do meu irmão antes de nos deixar na escola, cedo de manhã. 

Essa palavra “materialidade” me ensinou a ver a cidade de São Paulo e todas as outras que pisei; sabemos que cada profissão tem seu vocabulário e eu aprendi desde cedo o da OBRA – nesse ensinamento aplicado talvez se escancarasse a tentativa do meu pai para que eu me encantasse e me tornasse engenheira ou arquiteta; não deu certo, virei antropóloga. 

Ironicamente, vinte anos depois eu faço parte da curadoria da 13ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. 

O mundo dá voltas, sim, nada é sorte, tudo é devoção e trabalho. 

→ OBRA 

Escavadeiras, britadeiras, BobCats, serras elétricas, rejunte, cimento, pó, muito pó e barulho.

Homens e mais homens, capacetes com funções, nomes e apelidos, água e terra em muitos estados. 

A saída desses homens do canteiro de obra, o cheiro de lavanda, odor de rosas, cabelos penteados para trás, a luz batendo em seus corpos no fim do dia, um vento entrando e sacudindo a camisa, um frescor, depois de tanta poeira. 

Entre as obras, teve uma obra que durou anos e mais anos e transformou meu pai de um jeito que eu nunca vi ou fez aflorar um jeito que eu não conhecia. Eu demorei pra entender que esse lugar viria a se transformar no Sesc 24 de Maio. 

O da encruzilhada no centro, bem naquele território sagrado cheio de histórias dos movimentos negros, dos bailes, das trocas, dos afetos e insurgências. Uma vez ouvi dizer de uma mulher que admiro que a gente sempre volta para os espaços que foram povoados pelos nossos ancestrais, meu pai, meu grande amor, um engenheiro negro pisando, produzindo em coletivo aquela obra. 

Chamei tanto tempo de obra que até hoje me confundo em chamar de Sesc; existe naquele lugar uma vocação para o encontro.

Há um empreendimento mais coletivo que uma construção?